Gradação é uma figura de linguagem caracterizada por um encadeamento de ideias que pode seguir uma ordem crescente ou uma ordem decrescente. Seguindo uma ordem crescente, a gradação apresenta uma progressão ascendente, intensificando e exagerando a mensagem transmitida. Seguindo uma ordem decrescente, a gradação apresenta uma progressão descendente, suavizando a mensagem transmitida.

Alguns autores defendem que gradação e clímax são conceitos sinônimos, outros defendem que clímax é apenas sinônimo de gradação ascendente, sendo o anticlímax o sinônimo da gradação descendente.

Exemplos de gradação ascendente:

  • Em menos de um ano passou de estagiário, a funcionário, a chefe e a tirano.
  • Minha prima sempre se achou bonita, linda, deslumbrante. Sempre se achou a mulher mais vistosa do mundo.
  • Do passo passou ao trote e do trote ao galope. Assim, o cavalo se sentiu livre correndo pelos campos.

Exemplos de gradação descendente:

  • Ela berrou, gritou, falou, sussurrou, murmurou… já não havia mais nada que pudesse fazer.
  • A famosa atriz já foi milionária, rica, classe média e até remediada. Quem diria que acabaria sua vida na miséria?
  • Depois da tempestade, dos relâmpagos e trovões, a chuva continuou caindo durante dias, até se transformar num suave chuvisco.

Exemplos de gradação na literatura:

  • “Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos de luz, outros ensanguentados.” (Machado de Assis)
  • “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro Lobato)
  • “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se.” (Padre Antônio Vieira)
  • “Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo.” (Castro Alves)
Publicado em
Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.