O uso dos porquês é um dos assuntos da língua portuguesa que mais causa dúvidas entre os falantes. Para que o emprego dos porquês seja feito de forma correta, é essencial entender e distinguir as quatro formas: porque, porquê, por que ou por quê.

Dica rápida para o uso dos porquês

Porque = Usado nas respostas.
Por que = Usado no início das perguntas.
Por quê? = Usado no fim das perguntas.
O porquê = Usado como um substantivo.

Quando usar porque?

Porque (junto e sem acento) é usado principalmente em respostas e em explicações. Indica a causa ou a explicação de alguma coisa.

Exemplos com porque

  • Choro porque machuquei o pé.
  • Ela não foi à escola porque estava chovendo.

Porque pode ser substituído por:

  • pois;
  • por causa de que;
  • visto que;
  • uma vez que;
  • dado que.

Substituição do porque

  • Não comprei o computador, porque era muito caro.
  • Não comprei o computador, pois era muito caro.
  • Não comprei o computador, por causa que era muito caro.
  • Não comprei o computador, visto que era muito caro.
  • Não comprei o computador, uma vez que era muito caro.
  • Não comprei o computador, dado que era muito caro.

Porque é uma conjunção subordinativa causal ou explicativa, unindo duas orações que dependem uma da outra para ter sentido completo.

Quando usar por que?

Por que (separado e sem acento) pode ser usado para introduzir uma pergunta ou para estabelecer uma relação com um termo anterior da oração.

Por que em perguntas

Possuindo um caráter interrogativo, por que é usado para iniciar uma pergunta.

Exemplos com por que (interrogativo)

  • Por que você não foi dormir?
  • Por que não posso sair com meus amigos?

Por que (interrogativo) pode ser substituído por:

  • por que razão;
  • por qual razão;
  • por que motivo;
  • por qual motivo.

Substituição do por que

  • Por que você está me contando isso?
  • Por que razão você está me contando isso?
  • Por que motivo você está me contando isso?
  • Por qual razão você está me contando isso?
  • Por qual motivo você está me contando isso?

Com este sentido interrogativo, por que é formado pela preposição por seguida do pronome interrogativo que.

Por que em relação com um termo antecedente

Por que é usado também como elemento de ligação entre duas orações, estabelecendo uma relação com um termo antecedente.

Exemplos com por que (relativo)

  • Não achei o caminho por que passei.
  • As razões por que fui embora são pessoais.

Por que (relativo) pode ser substituído por:

  • pelo qual;
  • pela qual;
  • pelos quais;
  • pelas quais;
  • por qual;
  • por quais.

Substituição do por que

  • A rua por que passei estava com muitas obras.
  • A rua pela qual passei estava com muitas obras.
  • A rua por qual passei estava com muitas obras.

Estabelecendo uma relação com um termo anterior, por que é formado pela preposição por seguida do pronome relativo que.

Quando usar por quê?

Por quê (separado e com acento) é usado em interrogações. Aparece sempre no final da frase, seguido de ponto de interrogação ou de um ponto final.

Exemplos com por quê

  • Você não comeu? Por quê?
  • O menino foi embora e nem disse por quê.

Por quê pode ser substituído por:

  • por qual motivo;
  • por qual razão.

Substituição do por quê

  • Ele já veio para casa? Por quê?
  • Ele já veio para casa? Por qual motivo?
  • Ele já veio para casa? Por qual razão?

Por quê é formado pela preposição por seguida do pronome interrogativo tônico quê.

Quando usar porquê?

Porquê (junto e com acento) é usado para indicar o motivo, a causa ou a razão de algo.

Aparece quase sempre junto de um artigo definido (o, os) ou indefinido (um, uns), podendo também aparecer junto de um pronome ou numeral.

Exemplos com porquê

  • Todos riam muito e ninguém me dizia o porquê.
  • Gostaria de saber os porquês de ter sido mandada embora.

Porquê pode ser substituído por:

  • o motivo;
  • a causa;
  • a razão.

Substituição do porquê

  • Você sabe o porquê de tanta confusão, não sabe?
  • Você sabe o motivo de tanta confusão, não sabe?
  • Você sabe a causa de tanta confusão, não sabe?
  • Você sabe a razão de tanta confusão, não sabe?

Porquê é um substantivo masculino, podendo sofrer flexão em número: o porquê, os porquês.

Exercícios sobre o uso dos porquês

Teste os conhecimentos que aprendeu através da realização de diversos exercícios sobre o uso dos porquês!

1. Identifique a frase escrita de forma correta.

a) Por que eu devo acreditar em você?
b) Porque eu devo acreditar em você?
c) Por quê eu devo acreditar em você?
d) Porquê eu devo acreditar em você?

a) Por que eu devo acreditar em você?

Explicação: A forma por que é usada para iniciar uma pergunta, sendo sinônima de por que motivo ou por que razão.

2. Indique em qual frase o uso de “porque” está correto.

a) Porque você ainda está aqui?
b) Fui passear porque estava um dia agradável.
c) Você sabe o porque de tanta discussão?
d) Ele perguntou isso? Porque?

b) Fui passear porque estava um dia agradável.

Explicação: Porque é usado em respostas e em explicações. É sinônimo de pois, visto que, uma vez que.

3. Complete as frases com as formas corretas.

a) Ontem não houve aulas. Você sabe __________?
b) As ruas __________ passei já estavam enfeitadas.
c) Comprei este vestido __________ quis!
d) Ninguém entendeu o __________ da tua revolta.

a) por quê
b) por que
c) porque
d) porquê

Explicação:
a) Por quê é usado em interrogações. Aparece sempre no final da frase, seguido de ponto de interrogação ou de um ponto final.
b) Por que é usado para estabelecer uma relação com um termo anterior. É sinônimo de por qual, pela qual, pelo qual.
c) Porque é usado em respostas e em explicações. É sinônimo de pois, visto que, uma vez que.
d) Porquê é um substantivo. Vem sempre precedido de um artigo e é sinônimo de o motivo ou a causa.

Realize mais exercícios sobre o uso dos porquês no artigo Uso dos porquês: exercícios com gabarito. No final, verifique as respostas certas no gabarito.

Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.