O hipérbato é uma figura de linguagem em que ocorre uma inversão brusca da ordem dos termos de uma oração. Essa inversão ocorre, predominantemente, pela divisão de elementos de um sintagma para que haja intercalação de elementos de outro sintagma.

Exemplos de hipérbato

  • Brincavam antigamente na rua as crianças.
  • Que como estas flores seja a vida bonita e perfumada.
  • Desilusão em mim, a maior de todas, sua atitude provocou.

A utilização do hipérbato permite a enfatização de uma palavra ou de uma ideia, bem como o desenvolvimento de uma linguagem flexível e desenvolta. Na poesia, esta figura de linguagem é muitas vezes utilizada para cumprir as exigências do verso relativamente à métrica e às rimas.

Hipérbato na literatura

  • “Mas, como o dele, batia/Dela o coração também.” (Manuel Bandeira)
  • “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco.” (Gonçalves Dias)
  • “Não a Ti, Cristo, odeio ou te não quero.” (Fernando Pessoa)
  • “O das águas gigante caudaloso..." (Gonçalves de Magalhães)
  • “Não te esqueças daquele amor ardente/que já nos olhos meus tão puro viste.” (Camões).

O hipérbato atua como um recurso que aumenta a expressividade da mensagem, passível de ser utilizado na linguagem oral e escrita. Como provoca mudanças na estrutura natural de uma oração, é considerado uma figura de sintaxe ou de construção.

Embora o uso do hipérbato possa, por vezes, causar alguma ambiguidade e prejudicar a clareza da mensagem, não cria a obscuridade do sentido da mensagem, nem compromete o seu entendimento.

Compreenda o que são as figuras de construção.

Diferença entre hipérbato, anástrofe e sínquise

Anástrofe, hipérbato e sínquise são figuras de construção ou de sintaxe, estando relacionadas com a estrutura das frases. Estas três figuras se caracterizam pela inversão da ordem normal das palavras numa frase. São apenas diferencias pela intensidade com que essa inversão ocorre.

Na anástrofe ocorre uma inversão suave que cria apenas um ligeiro efeito surpresa e enfático na frase.

No hipérbato ocorre uma inversão brusca que, embora possa prejudicar a clareza da mensagem, não compromete o seu entendimento e sentido.

Na sínquise ocorre uma inversão tão intensa e excessiva que compromete a clareza e sentido da mensagem, tornando-a obscura e ininteligível.

Exemplo de anástrofe:
Todos esses livros eu já li.

Exemplo de hipérbato:
Fazia antigamente eu artesanato com cortiça.

Exemplo de sínquise:
Por entre o quente a transparente cortina sol passava.

Leia mais sobre a anástrofe e sobre a sínquise.

Fique sabendo mais!
A palavra hipérbato tem sua origem na palavra grega hyperbatón, que significa uma inversão e transposição. A palavra hipérbaton é sinônima de hipérbato, estando a sua grafia mais próxima do étimo grego.

Figuras de linguagem

Figuras de linguagem são recursos estilísticos utilizados na linguagem oral e escrita que aumentam a expressividade da mensagem. Estão subdivididas em: figuras de palavra, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de som.

Figuras de palavras Alegoria, perífrase ou antonomásia, catacrese, comparação ou símile, metáfora, metonímia, sinédoque, sinestesia.
Figuras de construção Anacoluto, anáfora, anástrofe ou inversão, hipérbato, sínquise, assíndeto, polissíndeto, elipse, zeugma, silepse, hipálage, pleonasmo ou redundância.
Figuras de pensamento Antítese, apóstrofe, eufemismo, gradação ou clímax, hipérbole, ironia, paradoxo ou oxímoro, prosopopeia ou personificação.
Figuras de som Aliteração, assonância, onomatopeia, paronomásia.

Conheça, de forma pormenorizada, todas as figuras de linguagem.

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Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.