A próclise é uma das três formas de colocação pronominal.

Na próclise, o pronome pessoal oblíquo átono aparece antes do verbo.

Exemplos de próclise

  • Nunca me esquecerei do que ele me disse.
  • Tomara que o médico nos atenda logo.
  • Quem te disse que eu não quero ir?

No português do Brasil, o uso da próclise está generalizado, tanto na linguagem falada, como na linguagem escrita. 

Quando usar próclise?

Deverá ocorrer obrigatoriamente próclise sempre que houver uma palavra atrativa que justifique o adiantamento do pronome, como…

Palavras negativas (não, nunca, ninguém, jamais,…)

  • Não o ajudo mais porque ele não merece.
  • Nunca me insultaram tanto em toda a minha vida!
  • Nem me fale sobre isso…

Conjunções subordinativas (embora, se, conforme, logo,...)

  • Embora me agrade, não poderei aceitar a proposta.
  • Conforme lhe disse, a vaga já não está disponível.
  • Vou ficar irritada se você me chatear muito com esse assunto.

Pronomes relativos (que, qual, onde,…)

  • Todos os anos voltamos ao lugar onde nos apaixonamos.
  • Há problemas que nos derrubam mesmo.
  • Você é o familiar de quem me lembro melhor.

Pronomes interrogativos (quem, qual, que, quando,…)

  • Quem te disse isso?
  • Quando nos convidaram para ir ao casamento?
  • O que lhe convém mais?

Pronomes indefinidos (alguém, todos, poucos,…)

  • Ninguém me ajuda agora?
  • Poucos nos estendem a mão nas horas difíceis…
  • Alguém o viu entrando acompanhado na biblioteca.

Frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo)

  • Como nos alegram, esses meninos!
  • Como me maltrataram!
  • Deus te abençoe!

Pronomes demonstrativos (isto, isso, aquilo,…)

  • Isso o animou muito.
  • Aquilo me deixou muito triste.
  • Aquilo lhe ensinou a ter mais respeito pelos outros.

Preposição em + verbo no gerúndio

  • Em se tratando de ser feliz, sou perita no assunto.
  • Em se considerando essa possibilidade, não irei com vocês.
  • Em se pensando assim, poderá ser uma forma de resolver os problemas.

Advérbios (sem que haja uma pausa marcada)

  • Aqui se faz, aqui se paga!
  • Madalena já se foi embora.
  • Só te quis ajudar.

Quando não usar próclise?

Não deverá ser usada a próclise nas seguintes situações…

No início das orações: Dá-me teu número, por favor.

Em orações imperativas afirmativas: Sente-se agora e coma!

Em orações reduzidas do gerúndio: Sorriu, sentindo-se livre.

Em orações reduzidas do infinitivo: Convém dar-me uma resposta agora.

Uso facultativo de próclise

Nas situações em que não existe uma palavra atrativa que obrigue ao adiantamento do pronome ou em que não haja a proibição do adiantamento do pronome, o uso da próclise se torna facultativo.

Exemplo de uso facultativo da próclise

  • O antigo diretor me ligou ontem.
  • O antigo diretor ligou-me ontem.
  • A Mariana se esqueceu do encontro?
  • A Mariana esqueceu-se do encontro?

Apesar da próclise ser a forma de colocação pronominal preferencial dos falantes, segundo a norma culta, a forma básica de colocação pronominal é a ênclise, ou seja, a colocação pronominal depois do verbo.

Próclise, ênclise e mesóclise

Além da próclise, existem duas outras formas de colocação pronominal: a ênclise e a mesóclise.

Na ênclise, o pronome pessoal oblíquo átono aparece depois do verbo:

  • Sente-se imediatamente!
  • Encontrei-me com ele ontem.
  • Ela perguntou-me se eu sabia a verdade.

Na mesóclise, o pronome pessoal oblíquo átono aparece no meio do verbo.

  • Os vizinhos de cima ajudar-nos-ão a terminar essa tarefa.
  • Pedro, pedir-te-ei que venhas comigo.
  • Os funcionários dedicar-se-iam mais se tivessem melhores regalias.

Os pronomes pessoais oblíquos átonos são:
me (1.ª pessoa do singular)
te (2.ª pessoa do singular)
se, o, a, lhe (3.ª pessoa do singular)
nos (1.ª pessoa do plural)
vos (2.ª pessoa do plural)
se, os, as, lhes (3.ª pessoa do plural)

Leia tudo sobre as três formas de colocação pronominal.

Atualizado em
Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.