A dupla negação (ou dupla negativa) é uma característica sintática da língua portuguesa. A utilização da dupla negativa está correta e transmite um sentido negativo à frase. É uma particularidade sintática consagrada pelo uso, sendo muito utilizada pelos falantes, principalmente na linguagem oral.

Exemplos de dupla negação:

  • Não vi ninguém esperando por mim no aeroporto.
  • Não fiz nada de errado para estar sendo castigada.
  • Não pedi nada a você, porque não quero sua ajuda.
  • Nunca encontrei ninguém com o mesmo nome que eu.
  • Meu filho não é nada modesto.
  • Não foi nada!

Exemplos de dupla negação na literatura:

  • “Não sou nada./Nunca serei nada./Não posso querer ser nada.” (Álvaro de Campos)
  • "Ele não gostou menos." (Machado de Assis)
  • “[…] cuja chave ninguém nunca jamais soube onde ficava…” (Machado de Assis)
  • “Nem tu não hás de vir cá.” (Gil Vicente)
  • “Nem de pão não nos fartamos.” (Gil Vicente)

Embora contestada por algumas pessoas, que defendem que a dupla negação transmite uma ideia afirmativa, a dupla negação não só mantém o sentido negativo da frase, como o reforça e enfatiza. Sintaticamente, privilegia-se que a negação ocorra antes do verbo, independentemente de ser ou não seguida de um pronome indefinido que a intensifique.

Construções que anulem a dupla negação, como: “Ele viu ninguém”, “Eu gosto de nenhum” e “Nós sabemos de nada” são agramaticais, uma vez que não há nada que indique a forma negativa da frase antes do verbo.

Nota: Apesar de ser privilegiada a negação antes do verbo, há variações diatópicas que utilizam a negação depois do verbo ou antes e depois do verbo, como em: “Fala não.” e “Não fiz, não!”

É de salientar que a dupla negação ocorre apenas na voz ativa, não sendo utilizada na voz passiva.

Exemplos:

  • Voz ativa: Não fiz nenhum barulho.
  • Voz passiva: Nenhum barulho foi feito por mim.

Fique sabendo mais!
O fenômeno da dupla negação está presente em diversas outras línguas como o espanhol, o italiano,… e até no inglês.
Exemplo: “There isn't anybody like Nancy.” (Truman Capote, A sangue frio)