A catacrese é uma figura de linguagem caracterizada pela utilização de uma palavra fora do seu significado original por falta de outra palavra que corresponda ao conceito que se pretende nomear. As palavras são usadas no sentido figurado por falta de um termo específico ou por desconhecimento do mesmo. Pode ocorrer também quando o termo específico de um conceito não é um termo utilizado comumente, sendo muito técnico ou formal.

Na catacrese as palavras atuam, assim, como expressões usadas no dia a dia que facilitam o processo comunicativo. Esses termos substitutos são estabelecidos por comparação, havendo uma extensão de sentido com base na semelhança entre os conceitos. Muitas vezes, são atribuídas características de seres vivos a seres inanimados ou a situações diversas.

Embora seja uma figura de linguagem, podendo ser usada para enriquecer o texto, a catacrese ocorre mais por necessidade comunicativa do que por necessidade expressiva e poética. É considerada um tipo de metáfora que, estando já consolidada pelo uso entre os falantes da língua, perdeu sua vertente poética e original, sendo considerada comum e estereotipada. A catacrese é tão frequentemente utilizada na linguagem oral que os falantes já nem dão conta ou importância à figura de linguagem que está ocorrendo.

Exemplos de catacrese usados no dia a dia:

  • A cabeça do alfinete
  • O dente de alho
  • O pé da mesa
  • A maçã do rosto
  • O braço da cadeira
  • A batata da perna
  • O pé da cama
  • O céu da boca
  • Embarcar no avião
  • O fio de azeite
  • A árvore genealógica
  • A pele do tomate
  • A boca do túnel
  • A raiz do problema

Exemplos de catacrese na literatura e na música:

  • “Usei a cara da lua/As asas do vento/Os braços do mar/O pé da montanha” (Ronaldo Tapajós e Renato Rocha)
  • “Dobrando o cotovelo da estrada, [...]” (Graciliano Ramos)

Fique sabendo mais!
Catacrese tem sua origem na palavra grega katákhresis, que significa uso ou emprego de palavras.

Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.