O texto descritivo é caracterizado por descrever algo ou alguém detalhadamente, sendo possível ao leitor criar uma imagem mental do objeto ou ser descrito, de acordo com a descrição efetuada. Descrição essa tanto dos aspectos mais importantes e característicos que generalizam um objeto ou ser, como dos pormenores e detalhes que os diferenciam dos outros.

Não é, por norma, um tipo de texto autônomo, encontrando-se presente em outros textos, como o texto narrativo. Passagens descritivas ocorrem no meio da narração quando há uma pausa no desenrolar dos acontecimentos para caracterizar pormenorizadamente um objeto, um lugar ou uma pessoa, sendo um recurso útil e importante para capturar a atenção do leitor.

Estrutura do texto descritivo

Introdução: Primeiramente é feita a identificação do ser ou objeto que será descrito, de modo a que o leitor foque sua atenção nesse ser ou objeto.
Desenvolvimento: Ocorre então a descrição do objeto ou ser em foco, apresentando seus aspectos mais gerais e mais pormenorizados, havendo caracterizações mais objetivas e outras mais subjetivas.
Conclusão: A descrição está concluída quando a caracterização do objeto ou ser estiver terminada.

Características do texto descritivo

O texto descritivo não se encontra limitado por noções temporais ou relações espaciais, visto descrever algo estático, sem ordem fixa para a realização da descrição. Há uma notória predominância de substantivos, adjetivos e locuções adjetivas, em detrimento de verbos, sendo maioritariamente necessária a utilização de verbos de estado, como ser, estar, parecer, permanecer, ficar, continuar, tornar-se, andar,…

O uso de uma linguagem clara e dinâmica, com vocabulário rico e variado, bem como o uso de enumerações e comparações, ou outras figuras de linguagem, servem para melhor apresentar o objeto ou ser em descrição, enriquecendo o texto e tornando-o mais interessante para o leitor.

A descrição pode ser mais objetiva, focalizando aspectos físicos, ou mais subjetiva, focalizando aspectos emocionais e psicológicos. Nas melhores descrições, há um equilíbrio entre os dois tipos de descrição, sendo o objeto ou ser descrito apresentado nas suas diversas vertentes.

Na descrição de pessoas, há a descrição de aspectos físicos, ou seja, aquilo que pode ser observado e a descrição de aspectos psicológicos e comportamentais, como o caráter, personalidade, humor,…, apreendidos pelo convívio com a pessoa e pela observação de suas atitudes. Na descrição de lugares ocorre tanto a descrição de aspectos físicos, como a descrição do ambiente social, econômico, político,… Na descrição de objetos, embora predomine a descrição de aspectos físicos, pode ocorrer uma descrição sensorial, que estimule os sentidos do leitor.

Tipos de descrição

Embora seja possível distinguir tipos de descrição, é essencial que os três tipos estejam presentes numa descrição, de forma a torná-la completa, rica e interessante.

Descrição objetiva:

  • Descrição exata e precisa do objeto ou ser;
  • Maior aproximação possível da realidade;
  • Isenta de opiniões e duplos sentidos;
  • Descrição de aspectos físicos;
  • Utilização de uma linguagem clara, direta e realista;
  • Utilização de uma linguagem denotativa;
  • Descrição que torna o texto mais verídico.

Descrição subjetiva:

  • Confere um cunho pessoal ao objeto ou ser descrito;
  • Transmissão de um estado de espírito e de sentimento;
  • Descrição de aspectos emocionais;
  • Utilização de uma linguagem simbólica e metafórica;
  • Utilização de uma linguagem conotativa;
  • Descrição que torna o texto mais interessante.

Descrição sensorial (provoca sensações no leitor, explorando diversos sentidos):

  • Sensações visuais: saia vermelha, mãos enormes, tecido florido, toalha redonda,…
  • Sensações auditivas: crianças barulhentas, casa silenciosa, ruído ensurdecedor, sibilante som das sílabas,…
  • Sensações gustativas: resposta amarga, bolo delicioso, prazer agridoce, mar salgado,…
  • Sensações olfativas: cheiro nauseabundo, aroma agradável, odor fétido e pestilento, roupa perfumada,…
  • Sensações táteis: chão duro e áspero, seda macia, pele fria, tecido rugoso,…

Exemplo de excerto de texto descritivo:
“O que surpreendia logo era o pátio, outrora tão lôbrego, nu, latejado de pedregulhos – agora resplandecente, com um pavimento quadrilhado de mármores brancos e vermelhos, plantas decorativas, vasos de Quimper, e dois longos bancos feudais que Carlos trouxera de Espanha, trabalhados em talha, solenes como coros de catedral. Em cima, na antecâmara, revestida como uma tenda de estofos do Oriente, todo o rumor de passos morria: e ornavam-na divãs cobertos de tapetes persas, largos pratos mouriscos com reflexos metálicos de cobre, uma harmonia de tons severos, onde destacava, na brancura imaculada do mármore, uma figura de rapariga friorenta, arrepiando-se, rindo, ao meter o pezinho na água.” (Os Maias, Eça de Queirós)