Uma característica que diferencia as expressões populares das gírias é a duração. Enquanto a gíria vive durante cerca de cinco anos em uma comunidade, a expressão pode se manter por muito tempo, talvez décadas. Outra diferença está na extensão: as gírias podem ser formadas por uma só palavra; as expressões sempre são formadas por mais de uma.

O que é a gíria?

As gírias são palavras ou expressões utilizadas com sentido diferente do habitual, conhecido apenas por um grupo de pessoas na sociedade. O objetivo delas é criar a ideia de pertencimento e de identidade, dificultando a interação de pessoas que não fazem parte daquele grupo. Dessa forma, há gírias específicas para adolescentes, skatistas, surfistas, etc.

Como a intenção é codificar a comunicação, as gírias têm um curto período de existência: assim que começam a ser conhecidas por outros grupos da comunidade, elas são substituídas por novas construções. Em alguns casos, no entanto, os termos passam a ser falados por grande parte da sociedade, o que transforma a gíria em expressão popular.

O que é a expressão popular?

As expressões populares, também chamadas expressões idiomáticas ou idiomatismos, são construções de sentido figurado formadas por mais de uma palavra. São usadas em contextos informais e têm o objetivo de dar mais expressividade àquilo que se quer dizer.

Por exemplo: na expressão “pode tirar seu cavalinho da chuva”, o objetivo não é aconselhar alguém a colocar o animal em um lugar coberto, no qual não caia chuva. Quando uma pessoa diz isso, ela quer informar que se deve desistir de determinada ideia.

“Você vai levar as crianças ao parque?”
“Pode tirar seu cavalinho da chuva, tenho muito trabalho para fazer.”

Algumas gírias da internet e seu significado

Nos anos 2000

TDB: tudo de bom. Era usado para indicar concordância com alguma ideia.
tc: teclar. Era usado para convidar as pessoas para conversar em salas de bate-papo.
Noob: usado de forma negativa para indicar que alguém não conhecia o assunto.
Baleiar: não funcionar.

A partir de 2010

Berro: indica surpresa ou animação.
Cringe: indica situação constrangedora ou embaraçosa.
Crush: pessoa por quem alguém tem interesse romântico.
Fada sensata: pessoa que fez alguma declaração pertinente sobre um assunto.
Iti malia: expressão usada para demonstrar encantamento ou admiração.
Pedir biscoito: indica que a pessoa que fez a postagem tem a intenção de receber elogios.
Ranço: antipatia por uma pessoa ou situação.
Shippar: torcer pelo romance entre duas pessoas.

Algumas expressões populares e seus significados

A vaca foi pro brejo: indicar que o empreendimento deu errado.
Abaixar a cabeça (ou enfiar o rabo entre as pernas): aceitar sem reagir.
Acabou-se o que era doce: indicar o fim de um acontecimento.
Balaio de gatos (ou saco de gatos): promover confusão.
Botar a boca no mundo (ou no trombone): fazer revelações.
Carne de pescoço: ter temperamento difícil.
Casa da mãe Joana: lugar sem organização.
Colocar contra a parede (ou encostar na parede): acuar alguém.
Colocar o carro na frente dos bois (ou a carroça na frente dos bois): precipitar-se.
Com a corda no pescoço: estar em perigo.
Com a pulga atrás da orelha: estar desconfiado.
Com as mãos abanando: ficar sem nada para oferecer.
Com fogo no rabo (ou com a macaca): estar muito agitado.
Com os bofes de fora (ou com a língua de fora): estar muito cansado.
Como um peixe fora d’água: estar constrangido.
Cuspir no prato que comeu: ser ingrato.
Dar com os burros n’água: fracassar.
Dar para trás: desistir.
Dar sopa para o azar: facilitar resultados negativos.
Dar tempo ao tempo: esperar sem pressa.
Dar um empurrãozinho: ajudar alguém.
Dar uma banana: deixar de se importar.
Deixar na mão: decepcionar.
Descer a lenha (ou meter o pau): falar mal de alguém ou de alguma coisa.
Descobrir a pólvora: propor algo conhecido como se fosse novidade.
Desfiar o rosário: desabafar.
Empinar o nariz: ser arrogante.
Encher a lata (ou encher o caneco): beber de forma exagerada.
Entender do riscado: conhecer profundamente o assunto.
Entrar por um ouvido e sair por outro: não dar atenção.
Esfregar na cara: mostrar que tem capacidade.
Esperar a poeira abaixar (ou a poeira assentar): esperar a situação melhorar.
Espírito de porco: ser desagradável ou constrangedor.
Estar com a bola toda: ter credibilidade.
Estar de quatro por: sentir-se atraído por alguém.
Estar de saco cheio: estar muito incomodado com alguma coisa.
Estar fulo da vida (ou estar por conta): estar furioso.
Fazer uma salada: confundir as informações.
Ficar com cara de tacho: ficar sem graça.
Ficar de cara virada (ou de cara amarrada): manifestar mau-humor.
Ficar de orelha em pé: prestar atenção.
Forçar a barra: impor algo a alguém.
Gosto de cabo de guarda-chuva: ter gosto ruim na boca.
Jogado às traças (ou entregue às moscas): estar abandonado.
Lamber as botas: bajular.
Medir as palavras: ponderar o que vai dizer.
Morder a língua: arrepender-se de falar algo.
Mostrar com quantos paus se faz uma canoa: dar uma lição em alguém.
Mudar da água para o vinho: mudar radicalmente.
Mudar de pato para ganso: mudar de assunto.
Na rua da amargura (ou na sarjeta): estar em situação difícil.
Não fazer mal a uma mosca: ser inofensivo.
Não ser a sua praia: ser desinteressante.
Não ser de se jogar fora: ser atraente, interessante ou importante.
Não ser uma brastemp: ser comum.
Nem feder nem cheirar: ser indiferente.
O fim da picada (ou o fim do mundo): ser uma surpresa negativa.
Olhar atravessado: demonstrar censura ou hostilidade.
Olhar para o próprio rabo: fazer autocrítica.
Onde Judas perdeu as botas: estar em lugar muito distante.
Ou vai ou racha: tomar uma decisão.
Pagar um mico: passar vergonha.
Passar a perna (ou passar para trás): prejudicar alguém.
Pegar com a boca na botija (ou com a mão na cumbuca): surpreender alguém em ato ilícito.
Pegar o bonde andando: intrometer-se em uma conversa.
Pensando na morte da bezerra: estar desatento, pensativo.
Por debaixo dos panos: cometer algum ato ilícito.
Pôr nos trilhos (ou colocar na linha): corrigir.
Pôr o nariz para fora: sair de casa.
Quebrar o pau: brigar com alguém, física ou verbalmente.
Só não chamar de santo: agredir verbalmente.
Sossegar o facho: ficar quieto.
Tirar o corpo fora (ou tirar o seu da reta): eximir-se de responsabilidade.
Tomar chá de cadeira: ficar esperando.
Ver o que é bom para a tosse: sofrer punição ou retaliação.

Carolina Sueto Moreira
Carolina Sueto Moreira
Professora, revisora e estudante de tradução. Licenciada pela UFMG. Trabalha com produção de conteúdos desde 2016.