O artigo de opinião é um texto do domínio jornalístico, que apresenta a posição do autor sobre um tema de relevância política, social ou cultural. Para isso, utiliza a estrutura dissertativo-argumentativa. Nele, apresenta-se uma tese, que vai ser confirmada ou refutada por argumentos. Ao final, o autor faz uma retomada do assunto e apresenta mais fortemente seu posicionamento na conclusão.

Trata-se de um texto assinado, ou seja, o autor assume as consequências das informações apresentadas e, por isso, pode escrever em primeira pessoa. Além disso, para atrair o leitor e facilitar sua localização no jornal (seja ele impresso ou on-line), o artigo sempre apresenta um título.

Estrutura do artigo de opinião

O artigo é composto de três partes, que normalmente se dividem entre três ou mais parágrafos.

1ª parte - Introdução

Nessa parte, contextualiza-se o leitor. Por isso, é importante a apresentação do tema e do posicionamento do autor, que se dá por meio de uma tese. Geralmente, a introdução é composta de um parágrafo.

2ª parte - Desenvolvimento

Nessa parte, o autor apresenta argumentos que justifiquem ou comprovem a tese apresentada. Normalmente, usam-se dois a três parágrafos no desenvolvimento, um para cada argumento que se pretende defender.

3ª parte - Conclusão

Nessa parte, o autor faz uma retomada das ideias trabalhadas e apresenta um comentário mais pessoal, ou uma proposta de solução para o assunto. Geralmente, também é composta de um parágrafo.

Exemplo de artigo de opinião

A língua sem erros

Marcos Bagno*

Nossa tradição escolar sempre desprezou a língua viva, falada no dia a dia, como se fosse toda errada, uma forma corrompida de falar “a língua de Camões”. Havia (e há) a crença forte de que é missão da escola “consertar” a língua dos alunos, principalmente dos que vêm de grupos sociais desprestigiados, como a maioria dos que frequentam a escola pública. Com isso, abriu-se um abismo profundo entre a língua (e a cultura) própria dos alunos e a língua (e a cultura) própria da escola, uma instituição comprometida com os valores e ideologias dominantes. Felizmente, nos últimos 20 e poucos anos, essa postura sofreu muitas críticas e cada vez mais se aceita que é precisa levar em conta o saber prévio dos estudantes, sua língua familiar e sua cultura característica, para, a partir daí, ampliar seu repertório linguístico e cultural.

Por isso, em vez de reprimir e proibir o uso, na escola, da linguagem dos jovens, há muito mais vantagens em dar espaço para ela na sala de aula, promover algum tipo de trabalho que tenha como objeto essa linguagem. Por exemplo, trazer para a sala de aula a produção escrita ou musical desses jovens – grafites, fanzines, raps –, examinar os traços linguísticos mais interessantes, os tipos de construção sintática mais frequentes, a pronúncia, o vocabulário, sem erguer barreiras preconceituosas contra as gírias e expressões consideradas “vulgares”. Sugerir atividades lúdicas como “traduzir” um poema clássico para a linguagem dos guetos, das favelas, das periferias.

É urgente reconhecer que todas as formas de expressão são válidas e constituem a identidade individual e coletiva dos membros de múltiplas comunidades que compõem a nossa sociedade. Que a formação do cidadão também passa pela admissão, no convívio social, de todas as formas de falar e de escrever. Que é preciso levar o estudante a se apoderar de recursos linguísticos mais amplos, para que se possa inserir (se quiser) na cultura letrada, isso não deve passar pela supressão nem pela substituição de outros modos de falar, de amar, de ser.

*Marcos Bagno é escritor, tradutor, linguista e professor da Universidade de Brasília.

Como construir um artigo de opinião

Escrever um artigo de opinião pode parecer difícil. Um elemento importante para desmistificar essa impressão é entender que escrever é, antes de tudo, uma questão de prática: quanto mais uma pessoa escreve, mais fluido se torna esse processo. Outro elemento capaz de ajudar a desenvolver o texto é a organização. Uma estratégia adotada por diversos autores é ter à mão sempre algum local em que possa fazer anotações (pode ser até mesmo o bloco de textos do celular), para escrever as ideias que surgirem. Além disso, é importante conhecer o tema sobre o qual se escreve, por isso deve-se pesquisar sobre ele. O seguinte passo a passo traz ideias para melhor organização na elaboração de um artigo:

  1. Pesquisar sobre o tema em diversas fontes.
  2. Fazer anotações, procurando também assinalar avaliações e opiniões sobre o tema.
  3. Organizar as ideias, colocando próximas aquelas que são semelhantes. Isso facilita a coerência e a coesão.
  4. Explanar o raciocínio para o leitor. Muitas vezes, problemas de coerência acontecem porque o autor deu um salto no raciocínio, sem explicitá-lo, e o leitor não conseguiu acompanhar.
  5. Escrever o texto tendo em vista que a primeira versão não é a melhor. É mais interessante colocar todas as ideias relacionadas ao assunto no primeiro rascunho e depois ir retirando e acertando, até ter o texto definitivo.
  6. Reler o texto, se possível alguns dias depois de ter escrito a primeira versão. Isso permitirá a identificação de problemas que não tinham sido vistos antes. Pedir a outra pessoa para ler, apontando elementos fortes e fracos, também pode ser uma boa estratégia.
  7. Reescrever quantas vezes forem necessárias. É muito provável que sejam feitas três ou quatro versões antes do texto final.
  8. Encontrar um título criativo e que tenha relação com o assunto tratado ao longo do texto. Títulos como “A fome” ou “Problemas brasileiros” são muito genéricos: não trazem informações interessantes sobre o texto nem despertam a curiosidade do leitor.

Como fazer a introdução

A introdução é o primeiro contato do leitor com o tema que será desenvolvido ao longo do texto. Por isso, é importante que o autor o contextualize, escrevendo uma tese, ou seja, apresentando o recorte abordado e o posicionamento que vai adotar na discussão. Normalmente, essa tese é apresentada em um tópico-frasal, estrutura composta de uma ou duas frases que identificam o tema.

Existem diversas formas de construir o tópico-frasal, de acordo com o qual a introdução vai ser classificada em:

  • Introdução por declaração inicial
  • Introdução por definição
  • Introdução por alusão histórica
  • Introdução por interrogação

Introdução por declaração inicial: consiste em afirmar algo, para depois fundamentar essa afirmação. É o tipo mais comum de introdução.

Exemplo: “Vivemos numa época de ímpetos.”

Introdução por definição: consiste em apresentar uma definição ou um conceito. Esse método é comum em textos que têm objetivo didático.

Exemplo: “Estilo é a expressão literária de ideias ou sentimentos.”

Introdução por alusão histórica: consiste em fazer referência a fatos históricos, lendas ou tradições que tenham relevância para o tema abordado.

Exemplo: "Conta uma tradição cara ao povo americano que o Sino da Liberdade, cujos sons anunciaram, em Filadélfia, o nascimento dos Estados Unidos, inopinadamente se fendeu, estalando, pelo passamento de Marshall."

Introdução por interrogação: consiste na apresentação de uma pergunta, que será discutida e à qual se tentará responder durante o desenvolvimento.

Exemplo: "Sabe você o que é manhosando?"

Como fazer o desenvolvimento

Como o próprio nome indica, no desenvolvimento será feita a explanação do tema do texto. Para isso, são utilizados argumentos – frases e ideias que têm por objetivo defender a tese apresentada. Normalmente, elenca-se um argumento por parágrafo e escolhe-se uma estratégia argumentativa para escrevê-lo. Para que o texto seja coeso, no entanto, é necessário estabelecer relações entre esses parágrafos, por meio da reunião de ideias semelhantes ou do uso de conectivos.

As estratégias argumentativas mais comuns no artigo de opinião são:

  • Desenvolvimento por enumeração
  • Desenvolvimento por confronto
  • Desenvolvimento por analogia ou comparação
  • Desenvolvimento por exemplificação
  • Desenvolvimento por causa e consequência
  • Desenvolvimento por dados estatísticos
  • Desenvolvimento por argumento de autoridade

Desenvolvimento por enumeração: consiste em listar – e discutir brevemente – os principais pontos para defender um tema. É uma estratégia argumentativa bastante utilizada.

Exemplo: "Até mesmo as pessoas que seguiram carreira técnico-científica não entendem a racionalidade da ciência. Consomem toneladas de pseudomedicamentos sem nenhum efeito positivo para o organismo. Engolem comprimidos de vitaminas que serão eliminadas na urina. Consomem extratos de plantas com substâncias tóxicas e abandonam o tratamento médico."

Desenvolvimento por confronto: consiste em apresentar as diferenças existentes entre dois elementos, com o objetivo de defender um deles.

Exemplo: "Numa sociedade em que a ciência expandiu a longevidade do homem, não oferecemos à maioria da população segurança física nem acesso ao que a medicina moderna pode oferecer – nem mesmo a garantia de teto e comida."

Desenvolvimento por analogia ou comparação: consiste em apresentar dois elementos, com o objetivo de reforçar uma ideia por meio do realce das semelhanças que há entre eles.

Exemplo: "As mulheres indígenas que morrem por aborto inseguro no México são muito parecidas às mães que choram por seus filhos negros mortos pela violência policial nas favelas do Rio de Janeiro. Elas são também parecidas às mulheres não brancas que a elegeram para a presidência dos Estados Unidos."

Desenvolvimento por exemplificação: consiste em citar exemplos concretos que mostrem aquilo que se pretende defender. É uma estratégia muito usada em textos didáticos, por ser de fácil compreensão.

Exemplo: "Muitos experimentos de alto impacto podem ser realizados com materiais simples, em sala de aula ou em casa. Os norte-americanos, por exemplo, transformaram as garagens de suas casas em laboratórios no final do século XIX e início do século XX."

Desenvolvimento por causa e consequência: consiste em discutir detalhadamente as razões e os desdobramentos de um problema. Normalmente, dedica-se um parágrafo à causa e outro à consequência.

Exemplo: "Quando uma menina fica grávida, seu presente e futuro se alteram, pois sua educação pode ser interrompida, suas perspectivas de emprego diminuem e suas vulnerabilidades à pobreza, à exclusão e à dependência se multiplicam."

Desenvolvimento por dados estatísticos: consiste em dar dados percentuais ou informações numéricas para reforçar a ideia que se pretende defender. Para que essa estratégia seja realmente convincente, é importante que os dados sejam analisados e que o autor os relacione às outras ideias desenvolvidas no texto.

Exemplo: "São, ao todo, 27 milhões de eleitores nessa situação no cadastro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Desses, 8 milhões são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever, mas nunca estiveram numa sala de aula. No total, há 135,8 milhões de eleitores no país em 2010."

Desenvolvimento por argumento de autoridade: consiste em citar a fala de especialistas no assunto para defender um ponto de vista. Assim como o uso de dados estatísticos, só apresentar o argumento não basta: é importante que o autor o analise e o relacione às outras ideias presentes no artigo.

Exemplo: "'A definição proposta se aplica não só para o ambiente doméstico, mas também para os demais cuidadores de crianças e adolescentes - na escola, nos abrigos, nas unidades de internação. O projeto busca uma mudança cultural', diz a subsecretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira."

Como fazer a conclusão

A conclusão é o momento de "amarração" do texto. Ou seja, é nela que o autor vai retomar os principais pontos apresentados, manifestando mais claramente sua posição sobre o assunto. Embora existam muitas formas de construí-la, uma estratégia em particular pode ajudar: trata-se de construir o parágrafo apresentando primeiro um conectivo que sugira a finalização do texto ("dessa forma", "assim", "em resumo"), depois a retomada da tese e, no trecho final do parágrafo, um comentário.

Os tipos mais comuns de conclusão são:

  • Conclusão proposta
  • Conclusão resumo
  • Conclusão surpresa

Conclusão proposta: consiste em apontar soluções para os problemas levantados ao longo do texto. É o tipo de conclusão exigido no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Exemplo: "Como se nota pela dimensão do problema, algumas medidas fazem-se urgentes: é necessário investir em projetos de recuperação dos rios, tal como se fez na Inglaterra com o rio Tamisa; por outro lado, devem-se desenvolver projetos que visem ao reaproveitamento dos esgotos. Ao lado, disso, devem-se fazer maciças campanhas educativas para a população."

Conclusão resumo: consiste em retomar os aspectos discutidos ao longo do texto, com o objetivo de reforçar a tese apresentada.

Exemplo: "Dessa maneira, observamos que o problema da poluição nos rios envolve uma série de variáveis que incluem a população, as indústrias e o Estado."

Conclusão surpresa: consiste em usar uma construção inusitada, citação, anedota, fato curioso, para surpreender o leitor.

Exemplo: "E não me faça bocejar de tédio dizendo que sou preconceituoso. 'É sobre' saber do que se está falando por ter estudado muito o assunto, não 'se tratam de' pitacos improvisados. Mas nem por isso deixa de ser, também, uma tomada de posição ideológica explícita."

Carolina Sueto Moreira
Carolina Sueto Moreira
Professora, revisora e estudante de tradução. Licenciada pela UFMG. Trabalha com produção de conteúdos desde 2016.