Também conhecido como Setecentismo ou Neoclassicismo, o Arcadismo foi um movimento literário que ocorreu na segunda metade do século XVIII. Teve como principal característica a exaltação da natureza e da vida bucólica. 

No Brasil, o Arcadismo teve início em 1768 com a publicação de "Obras Poéticas" de Cláudio Manuel da Costa e com a fundação da sociedade literária Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, Minas Gerais. Nessa época, por todo o mundo ocorriam progressos na ciência e movimentos de independência. No Brasil, ocorria a Inconfidência Mineira.

Principais características do Arcadismo

  • Exaltação da natureza e do mundo natural;
  • Valorização da vida simples no campo; 
  • Desprezo pela vida nos centros urbanos;
  • Exaltação do homem puro, não corrompido pelos padrões sociais;
  • Inspiração na arte greco-romana e renascentista;
  • Influência do Iluminismo e do Racionalismo;
  • Desprezo pelos excessos do Barroco;
  • Utilização de uma linguagem simples;
  • Recurso a um tom confessional nas obras;
  • Idealização da mulher amada;
  • Recurso a um fingimento poético.

Principais autores e obras do Arcadismo

Cláudio Manuel da Costa (Apelido: Glauceste Satúrnio)
- Obras Poéticas (1768);
- Vila Rica (1839).

Tomás Antônio Gonzaga (Apelido: Dirceu)
- Marília de Dirceu (1792);  
- Cartas Chilenas (1863).

Basílio da Gama (Apelido: Termindo Sipílio)
- O Uraguai (1769);
- A Declamação Trágica (1820).

Frei José de Santa Rita Durão
- Caramuru (1781);
- Pro anmia studiorum instauratione oratio (1778).

Manuel Inácio da Silva Alvarenga (Apelido Alcindo Palmireno)
- O Desertor das Letras (1774);
- Glaura (1799).

Inácio José de Alvarenga Peixoto (Apelido: Eureste Fenício)
- Bárbara Heliodora (1865);
- Estela e Nize (1865).  

Poesia do Arcadismo

[...]
Enfim serás cantada, Vila Rica, 
Teu nome impresso nas memórias fica. 
Terás a glória de ter dado o berço 
A quem te faz girar pelo universo.
[...]
Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa

[...]
Ainda conserva o pálido semblante
Um não sei que de magoado e triste
Que os corações mais duros enternece,
Tanto era bela  no seu rosto a morte!
[...]
O Uraguai, de Basílio da Gama

De um varão em mil casos agitado,
Que as praias discorrendo do Ocidente,
Descobriu o Recôncavo afamado
Da capital brasílica potente:
Do Filho do Trovão denominado,
Que o peito domar soube à fera gente;
O valor cantarei na adversa sorte,
Pois só conheço herói quem nela é forte.
[...]
Caramaru, de Santa Rita Durão

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
Pelo traje da Corte, rico e fino.  
Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
Vendo correr os míseros vaqueiros 
Atrás de seu cansado desatino.        
Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, 
Aqui descanse a louca fantasia, 
E o que até agora se tornava em pranto
Se converta em afetos de alegria.
A poesia dos inconfidentes, de Cláudio Manuel da Costa